Brookfield revisa projetos para conter alta nos gastos
A incorporadora Brookfield informou nesta sexta-feira, 18 de maio, em teleconferência os resultados da companhia no primeiro trimestre deste ano. Para reverter o cenário negativo, a empresa passa a colocar em prática uma revisão das obras.
Entre os pontos negativos do balanço, os que mais preocupam, nas palavras da presidência, são as despesas com construção. Elas obrigaram a construtora a iniciar um programa mais profundo de revisão dos projetos. Até agora, a companhia já fez revisão de orçamentos em cerca de 20% dos empreendimentos.
De janeiro a março, as despesas totais — entre custo de vendas, gerais e administrativas — foram de R$ 619,2 milhões, uma expansão de 5% em 12 meses. Essa perda de eficiência foi traduzida na margem Ebitda, que calcula quanto da receita se tornou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, menor. O indicador passou de 24,6% a 14,2% em um ano.
Nicholas Reade, presidente-executivo, explicou que três foram os fatores dessa alta: gastos gerais e administrativos maiores; custos mais intensos nas construções; e perdas com distratos, ou revenda de imóveis a consumidores com incapacidade de crédito.
Enquanto os outros dois pontos “não preocupam”, de acordo com ele, o custo das obras acendeu o sinal amarelo para a incorporadora. “Nosso processo para rever esses custos dos projetos vai continuar ao longo do segundo trimestre”, afirmou o presidente. “Acreditamos tomar as medidas necessárias”, disse.
Na teleconferência, Cristiano Machado, diretor financeiro da empresa, não revelou um motivo específico para a alta nos gastos. Mas apontou que não só a obra foi penosa para o balanço da Brookfield, mas sim todo o processo de desenvolvimento influenciou a alta dos custos operacionais, sendo que um projeto em específico de loteamento, no interior de São Paulo, representou forte impacto negativo.
A maioria dos empreendimentos que foram mais custosos, segundo Machado, está concentrada na média e média baixa rendas, entre 50% e 60%.
Distratos
“A alta nos distratos está sendo provocada por nós”, admite Cristiano Machado, diretor financeiro da companhia. Até o ano passado, a qualidade de crédito era checada apenas depois da entrega do imóvel. Agora, a empresa verifica o portfólio antes da entrega, o que causou esse aumento no indicador no primeiro trimestre. “Estamos analisando a carteira e vendo a condição de financiamento antes”, comenta. Segundo a empresa, com essa mudança, o porcentual da receita com distrato tende a ser menor daqui para frente.
Essa linha do balanço chegou a R$ 95,2 milhões no primeiro trimestre, um avanço de 229,4% frente ao mesmo período de 2011. Para tentar reduzir o impacto, os executivos informaram que os distratos foram retirados do cálculo da Velocidade de Vendas (VSO).
Quanto à revenda das unidades recuperadas nessas operações, Machado informa que a velocidade está em linha com o VSO apresentado como um todo pela incorporadora. “No ano passado, por exemplo, já conseguimos contabilizar a venda de cerca de metade das unidades envolvidas em distratos”, calcula.
Da Redação, original Valor Econômico.